Um homem e uma mulher sentados em uma mesa de negociação com papéis de divórcio e acessórios pet, tendo um cachorro Golden Retriever sorridente posicionado no centro, ilustrando a definição da custódia de animais de estimação

Custódia de Animais de Estimação no Divórcio: O Impacto da Nova Lei 15.392/26

Quando um casal decide se separar, as discussões tradicionais sobre partilha de bens, pensão alimentícia e guarda de filhos costumam dominar as negociações. No entanto, um tema de grande apelo emocional ganhou, finalmente, regulamentação expressa no ordenamento jurídico brasileiro: a custódia de animais de estimação após o divórcio ou a dissolução da união estável.

A promulgação da Lei nº 15.392, de 16 de abril de 2026, representa um marco histórico. Pela primeira vez, o país conta com uma legislação específica para disciplinar a custódia de animais de estimação. A medida reconhece uma realidade que os tribunais já vinham enfrentando: nas famílias contemporâneas (ou multiespécies), os pets não são meros objetos, mas membros afetivos do lar.

Abaixo, explicamos de forma simples como a nova lei funciona na prática, quais são os direitos e deveres dos ex-parceiros e como buscar a melhor solução jurídica para o seu caso.

O que muda com a Lei 15.392/26 na custódia de animais de estimação?

Antes da nova lei, a ausência de normas específicas forçava o Judiciário a tratar os animais sob as regras gerais de partilha de bens móveis, como se fossem eletrodomésticos ou veículos.

A Lei 15.392/26 supera esse vácuo legislativo e traz três pilares fundamentais para a definição jurídica da custódia de animais de estimação:

1. O Bem-Estar do Animal como Prioridade

O critério para definir com quem o animal deve ficar deixa de ser puramente patrimonial (“quem comprou?”) e passa a focar no bem-estar do pet. O juiz ou os mediadores avaliarão aspectos como:

  • Espaço físico e ambiente adequado para a rotina do animal;
  • Condições financeiras e disponibilidade de tempo para cuidado e passeios;
  • Histórico de zelo, carinho e dedicação demonstrados por cada parte.

2. Presunção de Copropriedade

Se a maior parte da vida do animal transcorreu durante o casamento ou união estável, a lei presume a copropriedade. Isso protege o cônjuge que cuidou do pet no dia a dia, mesmo que o registro de propriedade (microchip, pedigree ou cadastro veterinário) esteja em nome do outro.

Se o casal ainda reside junto mas deseja resguardar os direitos futuros sobre seus bens e animais, formalizar um contrato de união estável é a melhor alternativa preventiva.

3. Vetor de Proteção contra Violência Doméstica

A lei estabelece que a custódia compartilhada não será concedida se houver histórico ou risco de violência doméstica e familiar, ou episódios de maus-tratos contra o próprio animal. Nestes casos, o agressor perde todos os direitos sobre o pet, sem direito a qualquer tipo de indenização.

Como funciona a custódia e a divisão de despesas na prática?

O caminho ideal para a definição da custódia de animais de estimação é o acordo amigável (consensual), que pode ser formalizado na própria escritura pública de divórcio ou dissolução de união estável. Caso não haja consenso, o caso será decidido judicialmente com base nas seguintes frentes:

Regime de Convivência (Visitas)

Muito similar à guarda de filhos, define-se um lar de custódia principal (onde o animal reside na maior parte do tempo) e um calendário de convivência para a outra parte (finais de semana alternados, feriados ou divisão balanceada de períodos).

Divisão de Despesas

A lei determina que as despesas sejam divididas proporcionalmente à capacidade financeira de cada ex-cônjuge. O quadro abaixo exemplifica os custos típicos que entram no cálculo:

Categoria Descrição Prática
Alimentação Ração de qualidade, petiscos e eventuais suplementos indicados.
Saúde Consultas, vacinas obrigatórias, vermífugos e tratamentos eventuais.
Estética e Higiene Banhos, tosas necessárias e produtos de higiene diária.
Hospedagem / Passeios Custos com dog walkers ou hotéis de pet em períodos de viagem, se aplicável.
Seguro de Saúde Mensalidade de planos de saúde veterinários contratados para o pet.

4 Dicas Práticas para Proteger os Direitos do seu Pet no Divórcio

Se você está enfrentando uma separação e quer garantir a segurança e o bem-estar do seu companheiro de quatro patas, adote as seguintes cautelas:

  1. Reúna provas de convivência: Guarde fotos, vídeos e prontuários médicos que comprovem que você participa ativamente da rotina de cuidados, garantindo argumentos sólidos para pleitear a custódia de animais de estimação.
  2. Guarde os comprovantes financeiros: Mantenha notas fiscais de ração, consultas e vacinas para demonstrar a contribuição financeira histórica para o sustento do pet.
  3. Formalize por escrito: Mesmo que o divórcio seja amigável, insira as cláusulas de convivência e despesas do pet de forma expressa e detalhada no acordo formalizado por advogado.
  4. Alerta de maus-tratos: Se notar qualquer indício de violência contra o pet ou negligência grave durante o período de convivência com o ex-parceiro, registre e comunique imediatamente a sua assessoria jurídica para as providências legais urgentes.

A atuação do escritório Pinheiro de Sant’Anna

No escritório Pinheiro de Sant’Anna & Advogados Associados, compreendemos o forte laço emocional que une as pessoas aos seus companheiros.

A nova legislação oferece a segurança jurídica necessária para que os pets continuem recebendo o amor e o cuidado que merecem, sem se tornarem reféns de disputas conjugais.

Publicado em 24.06.2026.

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